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Motivação: O gestor pode intervir em portas que só abrem por dentro?

Qualquer atividade feita sem motivação tem grande chance de atrasar, ficar mal feita ou feita pela metade. Em uma empresa, isso parece ser ainda mais importante! A motivação dos funcionários numa empresa é considerada uma condição essencial para um trabalho de excelência e que produz resultados significativos para todos. Entretanto, é unanimidade entre gestores que o desenvolvimento de equipes altamente motivadas é uma tarefa difícil. Muitas vezes essa dificuldade se dá pelo entendimento que as pessoas têm acerca do que é motivação, considerando-a apenas algo interno às pessoas, como nas metáforas que dizem que “a motivação é uma porta que se abre por dentro”. Esse entendimento, entretanto, pode trazer mais problemas que soluções para sua empresa.

A motivação é frequentemente considerada algo interior às pessoas e que precisa existir para que o bom trabalho aconteça. Entretanto, a motivação só é relevante quando afeta o comportamento da pessoa de algum modo. Inclusive, se uma pessoa diz que está motivada, mas não se comporta de forma compatível com o que entendemos como um trabalhador motivado, supomos que ela está mentindo, que está enganada, ou que ela não tem autoconhecimento suficiente para avaliar seu estado de motivação. Além disso, as pessoas em geral sabem quando alguém está motivado ou não, indicando que não parece adequado sugerir que ela é apenas algo interno. Por exemplo, quando vemos as pessoas trabalhando com afinco, buscando claramente alcançar objetivos ou produzindo muito no trabalho, dizemos que essas pessoas estão motivadas. Na mesma direção, quando vemos as pessoas enrolarem para terminar suas tarefas, fazendo apenas aquilo que evita ganhar broncas do chefe ou produzindo pouco, dizemos que essas pessoas estão desmotivadas.

É preciso também considerar que um gestor não consegue mudar diretamente o estado interno de motivação de uma pessoa sem mudar também o ambiente físico e social no qual ela trabalha. Não é possível colocar a mão dentro do sujeito e mudar a motivação dentro dele.  Um gestor que reconhece quais são as qualidades do trabalho desenvolvido por um funcionário e comunica apropriadamente esse aspecto pode, com isso, motivar alguns empregados, mas ele o faz mudando seu ambiente social e não mudando diretamente o estado interno de motivação. Considerar o estado interno de motivação dos nossos funcionários, apesar de extremamente importante, não parece ser suficiente para se compreender o fenômeno e muito menos para se intervir sobre ele.

Ainda que costumamos entender a motivação como algo muito interno, é na interação com o mundo que nos tornamos motivados ou desmotivados por nosso trabalho. O aspecto subjetivo da motivação nos alerta para o fato de que pessoas diferentes provavelmente serão motivadas por características distintas daquilo que constitui seu trabalho. Há, por exemplo, pessoas que são motivadas por elogios, pessoas que são motivadas por gratificações e pessoas que são motivadas por aspectos intrínsecos a própria atividade etc. Mas todas elas desenvolvem sua motivação no dia a dia, na interação com seu trabalho e isso não está apenas dentro do indivíduo.

Um gestor hábil que seja capaz de identificar como o ambiente físico e social (que o inclui) impacta na motivação de seus funcionários será muito mais eficiente na gestão de suas equipes. E aí, na sua empresa, os gestores entendem a motivação apenas como uma porta que se abre por dentro, ou percebem que ela é constituída e determinada pela interação com as pessoas estabelecem com seu mundo?