Publicado em

Seus funcionários tem clareza de suas funções? Ou só de suas atividades?

Imagine a situação em que o chefe de um bar, após contratar um garçom, vai ensiná-lo a realizar uma atividade, simples, como “polir os copos”. Diz o chefe: “Para polir os copos, basta você segurar o copo com um pano e esfregá-lo com outro pano”. Depois de alguns minutos e vários copos “polidos” pelo garçom, o chefe do bar vai avaliar o trabalho realizado e constata, com certa surpresa e decepção, que nenhum dos copos estava brilhoso. “Você não entendeu o que disse?”, pergunta ele, “Mas eu fiz o que você disse”, fala o garçom, “só não sabia que os copos precisavam ficar brilhosos após eu passar o pano”.

Por que confusões como essas acontecem? Isso talvez possa respondido a partir de uma das principais contribuições da Psicologia para as organizações, relacionada à proposição do que cabe aos funcionários de uma organização fazer. Essa contribuição é derivada do fato de que nem sempre há clareza a respeito das atribuições de cada funcionário, às vezes por pouca importância atribuída a isso, às vezes por equívocos produzidos na proposição do que cabe a cada indivíduo fazer. Para resolver confusões como essas, uma distinção parece fundamental: a distinção entre atividade e função da atividade.

Atividade pode ser entendida basicamente como as ações apresentadas pelos funcionários. A função da atividade envolve, por sua vez, as ações apresentadas pelos funcionários, mas com um acréscimo fundamental: o resultado a ser produzido pela atividade. Os psicólogos costumam se referir a essa distinção a partir das expressões “ação” (a atividade) e “comportamento” (uma atividade orientada para produção de um resultado). E, sem dúvida, é muito melhor quando a proposição daquilo que cabe aos funcionários de uma organização fazerem é feita a partir da descrição de um comportamento com a devida descrição do resultado a ser produzido por ele, em vez da descrição apenas de uma ação ou atividade.

Quando um funcionário tem clareza da função das atividades que realiza, ele tem maior contato com o que é produzido por seu fazer. Isso possibilita que o próprio funcionário avalie o resultado daquilo que ele faz, evita que o funcionário realize atividades sem importância, aumenta sua satisfação e aumenta seu engajamento nas atividades que realiza. A descrição da função da atividade auxilia também quem irá programar o treinamento e o desenvolvimento do funcionário, uma vez que tais programas tem como um de seus objetivos fazer com que os funcionários da organização tenham clareza de suas funções e não, simplesmente, das suas atividades.

Confusões como aquelas ocorridas entre o chefe do bar e o garçom recém-contratado são comuns em organizações. Culpar os envolvidos não parece ser a saída para resolver esse problema. Mas, felizmente, a proposição das atribuições a serem desenvolvidas pelos funcionários de uma organização, em vez da proposição apenas de suas atividades, constitui um procedimento promissor para que confusões como essas deixem de ocorrer. E na sua empresa, os funcionários tem clareza de suas funções? Ou apenas das atividades que realizam?

Um abraço, Dr. Gabriel de Luca, consultor da N1 Tecnologia Comportamental.

[box] Quer ler mais textos sobre a distinção entre atividade e função? Aqui seguem algumas sugestões de referências:

De luca, G. G.; Botomé, S. S. & Botomé, S. P. (2013) Comportamento constituinte do objetivo da universidade: Formulações de objetivos de uma instituição de ensino superior em depoimentos de chefes de departamento e coordenadores de cursos de graduação. Acta comportamentalia, 21(4), 459-480.

Kienen, N., & Wolff, S. (2002). Administrar comportamento humano em contextos organizacionais. Revista de Psicologia Organizacional e do Trabalho, 2 (2), 11–37. [/box]